Um médico estendendo a sua mão, com diversos comprimidos azuis, com os dizeres: Viagra vs. Câncer colorretal

Viagra pode reduzir o risco de câncer colorretal

Data de publicação: 24/07/2019 14:12:00
Categoria: Medicamentos

Por Stacey Colino

Os efeitos do Viagra podem ir além do auxílio no desempenho sexual, de acordo com uma pesquisa publicada no Journal Cancer Prevention Research: a pílula azulzinha usada para tratar a disfunção erétil também pode reduzir o risco de câncer colorretal.

Esse tipo de neoplasia está entre os três tipos de câncer mais comuns entre homens e mulheres no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e a estimativa é que 36.360 novos casos sejam diagnosticados a cada ano, sendo 17.380 em homens e 18.980 em mulheres.

Como foi realizado o estudo?
Por meio da água, os pesquisadores ministraram pequenas doses diárias de Viagra em camundongos geneticamente modificados para desenvolver um número elevado de pólipos (lesões) no intestino. O que descobriram foi que os camundongos tratados com o medicamento tiveram redução de 50% de desenvolvimento de câncer colorretal.

Quais os efeitos do Viagra no organismo?
O Viagra atua como inibidor de uma enzima chamada PDE5, e aumenta os níveis de uma substância chamada monofosfato de guanosina cíclico, que contribui para o funcionamento de células musculares lisas em todo o corpo, regulando a camada de células no revestimento intestinal.

A dose diária de Viagra reduziu pela metade a produção de pólipos no intestino dos camundongos, formações que podem se tornar cancerígenas por erros na divisão celular ou pela exposição a elementos cancerígenos. Por isso, os resultados sugerem que o medicamento suprime “a taxa normal de renovação da camada de células que reveste o interior do intestino”, explica o co-autor do estudo da Faculdade de Medicina da Geórgia, na Universidade Augusta, Darren Browning.

"Acreditamos que o Viagra aumenta a resiliência do revestimento e, simultaneamente, elimina a proliferação das células em que o câncer inicia", conclui.
Porém, uma das características do tecido que reveste o intestino é a substituição a cada cinco dias, e os estudos descobriram que a taxa de rotatividade das células de revestimento intestinal volta ao normal após a interrupção do medicamento.

A pesquisa traz uma promessa ou resultado definitivo?
Mesmo que os resultados sejam promissores, ainda são necessários mais estudos antes que o Viagra seja usado para prevenção de câncer colorretal em humanos. Potencialmente, seu uso poderia colaborar com pacientes que herdam mutações genéticas que promovem um aumento na produção de células de revestimento do intestino.

Ainda, é possível que outras pesquisas associem outros medicamentos inibidores da PDE5 à redução de lesões, que sejam seguros para uso a longo prazo e melhores na redução dos riscos de câncer colorretal.

Fontes:
Everyday Health
Instituto Nacional de Câncer - 1
Instituto Nacional de Câncer - 2
Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Talita
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella

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