Uma idosa a frente de dois homens jovens apontando para ela e rindo, com os dizeres: Driblando o preconteico

Quais são os impactos causados pela discriminação etária?

Data de publicação: 03/10/2019 13:49:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Por Kendra Cherry

Os estereótipos sobre o envelhecimento são os responsáveis por trás do ageísmo, idadismo, ou discriminação etária. Esse tipo de preconceito induz à discriminação pela idade, assim como o racismo discrimina pela cor e o sexismo pelo gênero.

O termo foi criado por um especialista em envelhecimento, o gerontologista Robert N. Butler. Ele usou a palavra “ageism”, em inglês, para descrever o preconceito contra idosos. Atualmente, o ageísmo é usado de maneira mais ampla, para falar sobre os estereótipos negativos relacionados a qualquer idade.

Onde o ageísmo se manifesta com frequência?
O local de trabalho é onde esse tipo de preconceito entra em evidência. Enquanto os jovens adultos encontram dificuldades para conseguir o primeiro emprego, por não terem experiência, para as pessoas mais velhas é mais difícil mudar de carreira, encontrar novos trabalhos e serem promovidas.

Que estereótipos contribuem para o ageísmo?
As expectativas de comportamento construídas no imaginário de pessoas mais jovens sobre adultos mais velhos e idosos são a base dos estereótipos do ageísmo, indica a pesquisadora Susan Fiske. Entre eles está o sentimento de que os jovens devem suceder aqueles que já “tiveram a sua vez”  e agora devem abrir caminho para as novas gerações.

O segundo estereótipo refere-se ao que Fiske chama de consumo. As pessoas mais jovens sentem frequentemente que que recursos limitados devem ser gastos com eles mesmos e não com os idosos.

Por fim, é comum que sejam impostos padrões de comportamento e vestimenta aos idosos e adultos mais velhos, na expectativa de que eles não se destaquem mais do que os adultos jovens, indica a pesquisadora.

Quão comum é o ageísmo?
Nas redes sociais, os grupos relacionados às pessoas mais velhas eram direcionados às críticas ou desejos de proibição, apontou um estudo publicado no The Gerontologist, em 2013. Os pesquisadores analisaram 84 grupos, dentre os quais 40% defendiam que idosos não realizassem mais atividades como dirigir ou fazer compras. Desses grupos, 75% eram destinados às críticas.

No mercado de trabalho, a Comissão de Oportunidades Iguais dos Estados Unidos informa que cerca de 25% das reclamações apresentadas pelos trabalhadores têm relação com a discriminação baseada na idade, quando 1 a cada 5 trabalhadores no país tem mais de 55 anos.

A AARP, que é uma associação voltada para o empoderamento das pessoas em seu envelhecimento, relata que os trabalhadores que enfrentam o ageísmo em seus empregos podem chegar a 65%, enquanto 58% deles relata que a situação se torna mais evidente com a chegada do marco dos 50 anos.

Como combater o preconceito baseado em idade?
O envelhecimento da população é uma das principais razões pelas quais é preciso interromper o ciclo de discriminação baseado em idade. Para que isso aconteça, a Associação Americana de Psicologia sugere que o ageísmo seja tratado como os outros preconceitos, como os baseados em gênero ou deficiências, por exemplo.

Aumentar a conscientização das pessoas quanto à existência do ageísmo tanto quanto suas consequências, podem contribuir para a reversão desse quadro de discriminação.

Fonte:
Very Well Mind
Tradutora e Redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella

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