Um idoso com semblante de tristeza olhando fixamente por uma janela, com os dizeres: Como combater a solidão na terceira idade?

Como combater a solidão na terceira idade?

Data de publicação: 10/10/2019 11:50:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Estudos indicam que a solidão extrema e o isolamento social podem ser duas vezes mais prejudiciais à saúde dos idosos que a obesidade, por exemplo. Cientistas que acompanharam mais de duas mil pessoas, acima dos 50 anos, por mais de seis anos, descobriram que o risco de morte daqueles que relataram solidão era 14% maior que dos demais.

A solidão está se tornando mais comum?
O aumento da expectativa de vida e o distanciamento das pessoas de suas famílias são considerados pontos críticos no aumento da solidão entre as pessoas mais velhas, apontam especialistas.

Estudos mostram que o isolamento social tem causado danos tanto à saúde física quanto mental, especialmente depois da aposentadoria. O declínio físico e intelectual do envelhecimento pode estar ligado ao baixo número de relações satisfatórias que os idosos mantêm.

Para os pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, a noção mítica que se tem da aposentadoria, com fantasias como a de mudar-se para um local distante da família, como o litoral, por exemplo, não significa “viver feliz para sempre”. É importante não se desconectar das pessoas importantes no círculo familiar e de amizades, afirmam os estudiosos. Manter-se próximo a colegas depois da aposentadoria e manter amizades faz com que as pessoas se sintam menos solitárias.

Você sabia que a solidão pode aumentar a pressão arterial?
Em outro estudo, também conduzido na Universidade de Chicago, pesquisadores descobriram uma relação direta entre sentimento crônico de solidão e o aumento da pressão arterial.

O time de pesquisa estudou pessoas entre 50 e 68 anos de idade, por um período de 5 anos. Durante o estudo, o grupo foi convidado a avaliar suas conexões com outras pessoas, usando frases como “eu tenho muitas coisas em comum com as pessoas ao meu redor” e “eu consigo encontrar companhia quando desejo”.  

O que os resultados indicaram, de acordo com Louise Hawkley, pesquisadora sênior no Centro de Neurociência Cognitiva e Social, é que existem conexões claras entre os sentimentos de solidão reportados pelas pessoas no início do estudo e um aumento na pressão arterial no decorrer do mesmo.

Até as pessoas que se sentiam menos solitárias em comparação às outras foram afetadas, mas aquelas que sentiam mais solidão tiveram um aumento de cerca de 14.4 milímetros na pressão arterial.

Você se importa com o julgamento alheio?
Não basta tentar interagir com outras pessoas, é necessário melhorar a qualidade dessa interação e observar que tipo de resultados elas podem gerar. A solidão é caracterizada pelo impulso de se conectar com outras pessoas, combinado com o medo de ser avaliado negativamente por elas, ser rejeitado ou ficar desapontado, afirmam os pesquisadores. 

Isso significa que para prevenir a solidão, não basta aumentar o contato com outras pessoas, mas sim ensinar ao solitário a quebrar ciclos de pensamentos negativos sobre a si mesmo e de como as outras pessoas o percebe. 

De acordo com os pesquisadores, as intervenções mais efetivas não são aquelas em que se providencia que as pessoas solitárias convivam com outras, mas aquelas em que as pessoas que se sentem sozinhas são ensinadas a pensar de outra forma sobre as pessoas com que interagem.
No fim, o que vale é manter laços afetivos saudáveis, para manter corpo e mente em seu melhor estado.

Fonte:
Healthline

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella

  • Gostou? Compartilhe: