Estudo revela que alimentos processados podem reduzir a longevidade

Data de publicação: 18/04/2019 03:00:00
Categoria: Geriatria e Longevidade

Por Nicole Kwan

Alimentos processados como bebidas enlatadas, salgadinhos, fast food e outros lanches industrializados podem reduzir a longevidade. Um estudo francês mostrou que os voluntários que consumiam mais desses alimentos tinham chances de morrer mais cedo.

Publicada em fevereiro de 2019, na revista JAMA Internal Medicine, a pesquisa avaliou a alimentação de mais de 40 mil pessoas por cerca de 7 anos. Entre os participantes, a maioria deles mulheres, a média de ingestão calórica de alimentos ultraprocessados era de 34% do total diário, e um aumento de 10% desse número foi associado a um risco 14% maior de morte prematura.

Ainda de acordo com a pesquisa, o consumo desses alimentos pode ser maior entre a população francesa menos consciente de sua dieta, e ainda maior entre a população dos Estados Unidos, que chega a consumir 58% de sua ingestão calórica diária em alimentos ultraprocessados.

Que alimentos são considerados ultraprocessados?
A pesquisa utilizou a classificação NOVA para definir quais alimentos seriam considerados ultraprocessados. Esse sistema organiza os produtos alimentícios em quatro grupos: não processados ou minimamente processados, obtidos diretamente de frutas e animais; substâncias derivadas de alimentos não processados, como óleos, manteiga e açúcar; processados, como frutas em calda e massas frescas; e ultraprocessados, que incluem bebidas gaseificadas, sorvetes, barras energéticas, refeições prontas, entre outras.

A industrialização de alimentos ultraprocessados inclui a adição de elementos como sal, açúcar, conservantes e gordura, enquanto reduz a quantidade de nutrientes como as vitaminas, as fibras e os minerais. Nos Estados Unidos, esses alimentos contribuem para quase 90% do consumo adicional de açúcar, aponta um estudo publicado em 2016.

Os alimentos processados são prejudiciais à saúde?
Considerando todas as limitações do estudo, como o pouco tempo de observação e a influência da preocupação com a alimentação entre os participantes, por exemplo, os pesquisadores afirmam que mais pesquisas são necessárias, mas indicam que os alimentos que passam por processamento industrial podem apresentar riscos à saúde.

Em primeiro lugar, esses alimentos têm baixo valor nutricional, e costumam ser pobres em fibras e vitaminas, além de acumular sódio, açúcar e gorduras saturadas. Já os espessantes, conservantes e adoçantes artificiais, que compõe o processo de industrialização de alimentos, podem estar relacionados a alterações no sistema imunológico e às doenças metabólicas, como a obesidade e a diabetes tipo 2.

As embalagens desses alimentos, geralmente plásticas, podem transferir substâncias nocivas à saúde para a comida. Entre elas está o BPA (bisfenol A), que pode alterar níveis hormonais, e interferir na saúde reprodutiva feminina. Ainda, esses alimentos podem estar relacionados ao aumento da pressão arterial e às doenças cardiometabólicas.

Dicas para evitar alimentos processados
Para evitar alimentos ultraprocessados, e valorizar alimentos mais saudáveis, uma das principais dicas é ler os rótulos dos produtos industrializados e escolher a melhor opção: com menos sódio, açúcar e gorduras saturadas. Além disso, escolher alimentos que contenha itens conhecidos na lista de ingredientes.

Na hora de ir às compras, dar preferência a alimentos não processados, como frutas frescas ou até mesmo congeladas. E, por fim, evitar comer fora todos os dias e optar por cozinhar ao menos uma vez por semana.

Fonte:
Everyday Health
Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Designer: Raphael Alpoim
Diretor técnico: Geraldo Majella

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